A gente realmente quer informação ou quer a sensação de não estar perdendo nada?
A gente realmente quer informação ou quer a sensação de não estar perdendo nada?
Em outras palavras: estamos vivendo uma grande onda de FOMO?
FOMO, para quem não conhece a sigla, significa “fear of missing out”. Em português, o medo de estar por fora.
Com a quantidade de informações circulando, vídeos rodando e conteúdos sendo compartilhados, a gente de fato está atrás de ficar informado ou só não quer se sentir excluído por não ter uma informação?
Estamos sendo bombardeados 24 horas por dia, vivendo um verdadeiro barulho digital. Falei disso aqui em outro post. O que antes era veiculado na TV durante a edição de um jornal ou publicado em um impresso no dia seguinte hoje é apresentado para a gente na hora. E, a cada segundo, tem uma nova postagem. Sem exagero, é humanamente impossível ficar a par de tudo o que é falado e publicado.
A busca por mais e mais informação pode nos atrapalhar. Gosto sempre de pensar no filtro: o que queremos consumir? Que tipo de conteúdo realmente me agrega? Estou consumindo porque eu quero?
Isso também passa por quem escolhemos seguir. Afinal, quem seguimos influencia o que recebemos de informação e faz parte do jogo. E uma peça-chave disso é o algoritmo, que aprende com aquilo que buscamos, assistimos, curtimos e compartilhamos e, a partir disso, ajuda a definir o que aparece na nossa tela. Então, por mais que os gostos e perfis sejam parecidos com os de outras pessoas, nossa experiência na internet dificilmente será igual à delas.
Sei que, para muita gente, a internet é um meio de descontração. Um momento de relaxar e desligar. Mas isso não significa que precisamos entrar em “brain rot”, fadiga e desgaste mental tentando acompanhar tudo o que acontece.
Estaríamos nós em uma busca constante por novidades? Por algum tipo de recompensa social sem avaliar os riscos de tentar acompanhar tudo?
Essa leitura de comportamento parte de um estudo de JJ Delgado, gestor com mais de 15 anos de experiência em Marketing e Economia Digital. Ele analisa, por meio do “Cubo Noriso”, oito personalidades diferentes do ser humano e como elas podem influenciar nossa maneira de agir. A tese é voltada para padrões de consumo de produtos e serviços, mas peço licença para fazer uma releitura desses argumentos no que diz respeito ao consumo de informação.
As características que citei ali em cima são lidas por ele como próprias de alguém aventureiro e apaixonado: uma pessoa que busca ser vista por suas ações, corre atrás do novo e segue em frente sem olhar para trás. É uma tese muito interessante de acompanhar.
Vale refletir: estamos tentando impressionar e acabamos nos fadigando com conteúdo? A que grupo queremos pertencer?
Onde foi parar o tempo em que conseguíamos simplesmente ficar desconectados de uma tela?
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